Julho282014

ENSAIO - Prosa Poética

Rompendo com os abismos entre prosa e poesia, Paulo Emilio Azevedo ousa tensiona-las. Talvez já não seja mais nem uma coisa nem outra. Talvez já sejam ilustrações e paisagens como projeta Filipe Itagiba ao decora-las no seu novo ambiente.

Julho222014

ENSAIO - Curtos, Curta e Compartilhe!

Mais uma vez poemas curtos para longas imersões. Paulo Emilio Azevedo (o poeta PAz) em ação no seu celular. A concepção e projeto gráfico são de Filipe Itagiba. Compartilhem Gente!!!

10AM

ENSAIO - “Ensaio, sobre o mesmo”

No ensaio “Ensaio, sobre o mesmo” a performance de Aline Corrêa Carvalho está ilustrada por Filipe Itagiba e a poesia de Paulo Emilio Azevedo. Quaisquer comentários a mais estragariam a surpresa… Confiram!!!

10AM

ENSAIO - Intervalos de Fuga

Em 8 atos e 1 epílogo, Paulo Emilio Azevedo nos propõe uma poética dialógica e cênica, ilustrada pela percepção imagética de Filipe Itagiba. “Intervalos de fuga” é um traço no espaço em busca de novas escritas e narrativas. Confiram o novo ensaio da Cia Gente.

9AM

ENSAIO - ENTRE FAIXAS

Neste ensaio apresentamos Joao Carlos Silva.
B.boy, educador e profissional da dança, tem neste vídeo sua linguagem documentada nas ruas do Rio de Janeiro.
"Entre faixas" mostra a ousadia de um intérprete mundialmente conhecido de se colocar em diálogo direto com o asfalto, tecendo linhas de movimentos no tecido preto e branco da faixa de pedestres.
Bom ensaio!

9AM

ENSAIO - Curtos, curta!

No ensaio dessa semana Filipe Itagiba “anima” em cores hi-tech a micro-poesia de Paulo Emilio Azevedo. “Curtos, curta!”, aliás comentem e compartilhem.

9AM

ENSAIO - “Letícia Brito à TAGARELA”

Como prometido, toda 2ª feira às 19h um “ensaio”. Nesta semana conheça a poesia de Letícia Brito que através do sarau Tagarela (o maior slam do mundo) usa o espaço urbano como uma poética política. Confiram, essa é da Gente!
Veja mais em: http://www.facebook.com/sarautagarela

9AM

ENSAIO - PAz apresenta GUERRA

A Fundação PAz e a Cia GENTE trazem para você “Ensaios”.
A partir do mês de junho, toda segunda-feira às 19h, uma publicação de primeira será disposta neste canal. Sempre com a intenção de nutrir a sensibilidade das pessoas, serão publicados textos, vídeos, pensamentos, poesias, contos, artigos, fotos e tantas coisas que merecem a nossa assinatura.
Inciando esta sessão, confiram o ensaio poético “PAz apresenta GUERRA”.

Abril152014

especulum

sentado ao lado dele

meu semelhante 

meu amigo

sinto apatia por ele

olho pra ele

- Quem é voce?

não obtenho resposta

claro ele fala pouco

ele não gosta de falar

não gosta de companhia

em verdade ele não fala

pois não acha agradável o que tem a dizer

não acha aceitável, não estão dispostos a ouvir 

para ele as pessoas não merecem sua presença

por isso me esnoba, apenas me olha nos olhos

estou mesmerizado 

ele me plagia, me clona

zomba de mim

ele me intriga 

quer ficar sozinho

não o olho mais

ignoro sua presença

Janeiro272014

Bom dia!

Pai e filho caminhavam juntos. Era manhã, há muito o pai tentava ter um tempo com o filho. Tinha que trabalhar muito e sempre havia compromissos que necessitavam de sua atenção. Mas neste dia não. Finalmente reservara um tempo para estar com o filho.

- Onde vamos pai?

O pai havia feito um pequeno roteiro, com todos os lugares por onde passariam. Em cada um teria uma conversa com o filho. Gostava de sempre ensinar algo novo para ele. “Algo para formar seu caráter!”, sempre dizia a esposa.

- Vamos no escritório de um grande amigo de seu pai, filho. - tinha a mania de se referir a si mesmo sempre em terceira pessoa. Herdara esta peculiaridade de seu pai. “No final replicamos uma grande parte dos nossos genitores” pensou. - Prometo que será rápido.

O caminho foi curto e quase todo em silêncio. Passaram por ruas de pessoas apressadas, que transitavam o tempo todo, sempre com um objetivo que não era estar ali. O filho observava tudo.

- A rua é um lugar de passagem. - disse ao filho para quebrar o silêncio. O silêncio continuou e o pai se perguntou o que o filho estava pensando, mas não disse nada.

Chegaram a um prédio modesto de 4 andares, porém muito extenso em profundidade. Subiram dois lances de escada e chagaram a um grande salão com muitas mesas espalhadas em ordem. O amigo do pai estava na outra extremidade da sala. A cada mesa que passavam, o pai cumprimentava quem estava sentado com um “Bom dia!”. Chegaram ao amigo. Um breve abraço. Apresentou o filho ao amigo. Conversaram por não mais de 4 minutos e se despediram.Saíram do grande salão e desceram as escadas.

Na frente do prédio o pai agachou e ficou na altura do filho, sabia que para ser melhor ouvido tinha que se colocar desta maneira, ensinaria uma lição ao filho.

- Meu filho, sabe por que eu cumprimentei cada uma daquelas pessoas?

- Você conhece todos elas! - prontamente respondeu o filho.

- Seu pai não conhece todas elas, filho. Mas é ai que quero chegar. Este é o lugar de trabalho daquelas pessoas. Não é o nosso lugar, aqui estamos apenas de passagem e é de boa educação cumprimentar as pessoas quando entramos em seu ambiente. Como se entrássemos em suas casas. Eles vivem diariamente neste lugar por isso devemos respeita-los e ser educados com eles. Exercem suas funções diariamente neste local. Entendeu? - com um aceno de cabeça e os olhos nos olhos do pai, o filho afirmou entender.

Após um abraço, o pai se levantou e seguiram seu roteiro. Não muito a frente, um varredor de rua fazia seu serviço.

- Bom dia! - disse o filho ao passar por ele.

- Bom dia, meu jovem! - respondeu, um pouco surpreso o varredor.

Mais alguns metros a frente.

- Por que deu bom dia aquele senhor, meu filho? - perguntou o pai, enquanto o entendimento vinha antes da resposta.

- Aqui é o trabalho dele, pai! Devo cumprimentá-lo pois estamos apenas de passagem, ele não.

Um pequeno sorriso riscou o rosto do pai, recheado de orgulho e surpresa. Havia o filho ensinado ao pai, afinal, uma grande lição. 

Janeiro202014

Vida e Resposta

- A resposta é morte! - afirmou o primeiro. O segundo olhava para ele com dúvida nos olhos. O terceiro apenas bebericava sua cerveja, preta do tipo malzbier. Se reuniam em um bar na Gávea, como toda sexta-feria faziam. Eram professores. Todos de universidade. O primeiro era o mais novo entre eles.

- Como assim? - Indagou o segundo.

- A resposta é morte e a pergunta é vida. - acrescentou o primeiro.

Ao segundo nada mais ao redor tinha sua atenção. Parecia que todo o burburinho de onde estavam tinha cessado. Sua mente trabalhava rápido e já há muito conseguia não se deixar atrapalhar pelo ambiente.

- Continue! - o segundo disse. Estava ávido.

- Apenas afirmo o que passamos diariamente com nossos alunos. O que é a pergunta, senão vida? - o primeiro fez uma pequena pausa para beber seu whisky single malt, um tipo raro, mas encontrado naquele bar cujo dono se vangloriava de ter todas as bebidas do mundo. Até hoje isso se confirmava, diziam que nunca teve um homem que pedisse alguma que ali não tivesse. O primeiro seguiu falando. - Vida sim. A pergunta nos dá ânimo, nos move, nos faz buscar, nos dá potência. Logo é vida. - o terceiro se mantinha em silêncio, era o mais velho da mesa, mas agora tinha seu olhar no primeiro.

- Por isso a resposta é morte, pois seria o fim da pergunta, a chegada, o final em si. - disse o segundo.

- Exato! - apressou-se o primeiro - Exato. A resposta é o fim, é a morte da pergunta. É quando nos saciamos, deixamos de querer, deixamos de buscar. Na verdade a resposta não nos gera potência, é o ponto no fim do conto.

- Mas a resposta nos trás conhecimento, nos trás clareza. - pontuou o segundo.

- E o que pode ser mais a morte, senão o conhecimento? O saber depois da pergunta! - o primeiro estava eufórico e continuava - A vida é uma pergunta, que só respondemos na morte. Passamos toda a vida nos perguntando sobre tudo, mas principalmente sobre o fim. Nos perguntamos sobre o fim constantemente, e só obtemos a resposta quando lá chegamos, no fim. Resposta é morte, pergunta é vida!

- Resposta é morte, pergunta é vida. - repetiu o segundo como que para firmar em sua mente.

Em poucos segundos estavam os três em silêncio e assim permaneceram por alguns minutos.

Já não tinham mais o que dizer, estavam quietos, apenas bebiam. Sem aviso, o terceiro dá um grande gole em sua bebida e se levanta.

- Já vai embora? Fique mais! - o primeiro se colocou.

- Não, já não há mais vida aqui! - afirmou o terceiro.

Janeiro142014

A Menina do RH

Ser do RH nunca foi fácil para Clara. Era a primeira a ver os admitidos e a última a ver os demitidos. Mas era a sua função e era boa naquilo. Sempre adotou uma postura séria, era muito respeitada na empresa por isso. Mulher casada, dois filhos e muito disciplinada. Tinha o controle de tudo. Trabalhava, cuidava da casa e dos filhos, amava seu marido e, ao que tudo indica, ele a amava, fazia academia para manter-se saudável e bela para ele.

Se julgava uma mulher feliz, completa, realizada.

Naquele dia, vestiu-se com uma saia preta de cintura alta, uma camisa social branca com pequenos bordados na altura dos seios, chegou a pegar uma meia calça cor da pele, mas desistiu, tinha pernas bonitas e sentia orgulho delas, completou sua vestimenta com um par de sapatos de salto médio de ponta redonda, não gostava de sapatos com ponta. Na maquiagem, nada de mais, um batom de cor salmão e um pouco de blush para corar as bochechas. Cabelos presos em coque.

Organizou a bolsa, abraçou cada filho, eram dois, e foi para o trabalho junto ao marido. Todos os dias, Cleber a levava ao trabalho, não por cuidado mas costume. Na entrada do prédio da empresa onde Clara trabalha, pararam. Com um beijo seco e curto, se despediram e cada um tomou seu rumo.

7:30 da manhã Clara já estava em sua mesa. Como sempre chegara antes de iniciar o expediente na empresa, organizou sua mesa, leu seus emails, respondeu alguns e as 8 horas começou a chegar os outros funcionários.

Dona Ana, trouxe seu café com pouca açúcar e um copo d’água, como já fora instruída a muito. Trocaram algumas palavras de cumprimento e Clara agradeceu. Logo chegaria o primeiro entrevistado de hoje para ocupar a vaga do TI. Revisou todos os currículos que estavam em sua mesa. Leu cada nome para firmar.

José de Alcântara. Leandro José Carvalho. Augusto Luan Amoroso Pinto… Esboçou um leve sorriso. Ficava admirada com o nome de algumas pessoas. Por um breve instante pensou como este tal de Augusto deve ter sofrido na escola, por ter o nome “Amoroso Pinto”.

Francisco Martins. Fátima Antero Fagundes… Ter uma mulher na área do TI era muito raro. Geralmente homens lidavam com informática. Fez um pequeno risco com o lápis no currículo, um sinal de preferência. Clara possuía um certo feminismo e gostava de ver mulheres ocupando novas áreas.

Fábricio de Souza… Com uma batida na porta, foi interrompida. Pediu que a pessoa entrasse. Era o primeiro entrevistado. Clara pegou o cronometro e marcou o tempo. Cronometrava cada entrevista, pois cada uma não poderia passar de 10 minutos ou seu cronograma estaria arruinado.

A maratona de entrevistas começou. Ao longo da manhã entrevistou pessoas de diversos estados, inclusive um argentino que veio tentar a vida no Brasil. Tudo muito maçante, porém desempenhado com precisão e objetividade.

Bruno Mancedo era o próximo e último antes do almoço. Na verdade já deveria ter sido entrevistado, mas por seu atraso ficou por último. Clara evitava reparar demais na aparência dos candidatos, não queria que isso influenciasse na hora da decisão, mas não resistiu quando Bruno entrou na sala. Tinha 22 anos, estava em seu currículo, porém com cara de homem maduro. Muito bem vestido e o físico torneado só aumentava esta impressão. O que mais chamou a atenção de Clara foram os olhos negros, apesar do louro exagerado de seus cabelos, Bruno era exótico. Tinha algo no olhar que transbordava confiança.

Bruno fechou a porta devagar, sentou com calma, inclinou-se para trás apoiando no encosto da cadeira, braços relaxados recostados nos apoios, uma posição sem dúvida muito confiante.

Clara percebeu descrente que não tirou os olhos dele desde que entrou. Rapidamente buscou seu currículo e com uma breve olhada começou a entrevista:

- Olá Bruno, meu nome é Clara e esta entrevista é a primeira etapa para sua possível admissão. Por cada etapa que for aprovado passa para próxima. Se for reprovado em alguma, não participará da seguinte. Alguma dúvida?

Bruno apenas negou suavemente com a cabeça. Clara estava ficando intrigada.

- O que mais me chamou atenção aqui, e quero começar logo por este item, você foi demitido na última empresa que trabalhou por justa causa. Qual foi o motivo?

Bruno prontamente respondeu:

- Eu fui pego pelo meu chefe transando com a menina do RH.

Clara não conseguiu evitar o silêncio que se seguiu. Por alguns instantes não tinha o controle da situação. Evitando pensar no que acabara de ouvir, seguiu a entrevista normalmente.

Na hora do almoço, se dirigiu ao pequeno restaurante que comia sempre. Era o restaurante mais caro da rua. A muito Clara não se preocupava com isso. Preferia pagar mais e ter silêncio e tranquilidade, não falava com ninguém nesta hora. Seu trabalho era falar, falava o dia todo, então apreciava o silêncio. Mas em sua mente acontecia um pequeno inferno. Parecia que muitas pessoas falavam, mas só uma voz era audível e repetia a mesma frase: “…transando com a menina do RH”.

Era incontrolável, não conseguia parar de pensar naquilo.

Sua cabeça começou a doer, tamanho esforço em tentar esquecer, mas era inútil, a imagem de Bruno surgia olhando nos olhos dela e repetindo ”…transando com a menina do RH”.

Não conseguiu comer. Havia pedido, sem perceber, um Magret de pato ao perfume de mel, prato tipicamente servido no dia dos namorados na frança. Pediu um vinho, precisava se acalmar. Escolheu um Champagne Bollinger e no primeiro gole arrepiou. Lembrou-se da sua lua de mel, quando sentiu este mesmo arrepio, bebendo o mesmo vinho com seu marido. Cleber. Quando se lembrou dele conseguiu se acalmar. Manteve o pensamento focado nele e assim persistiu até chegar ao trabalho, onde as ocupações tomaram lugar na sua mente e tudo voltou ao normal.

Na sua sala, reviu todos as entrevistas e se preparou pra segunda etapa. Se dirigiu ao auditório e percebeu que dois dos que haviam passado na entrevista de manhã, não retornaram. Bruno estava lá. Sentado na frente, com os olhos nela. Clara apresentou o psicólogo que iria realizar o próximo teste e ficou ali observando. Enquanto acontecia o teste, Bruno continuava olhando para Clara, desconcertada se retirou e foi ao banheiro. Não sabia o que fazer. Não poderia ficar ali daquela maneira, tinha que trabalhar, mas aquele homem a incomodava.

Clara não aceitava, mas estava excitada de tal forma que era sufocante.

Entrou em uma das cabines e sentou no acento. Sentia muito calor, apesar do sistema de ar condicionado da empresa ser muito forte. Buscava controle, tentou pensar em seu marido novamente, mas vinha a imagem de Bruno. Buscava controle, tentou fechar os olhos e viu os olhos negros de Bruno. O calor só aumentava, de forma inconsciente abria e fechava as pernas como que pra refrescar. Percebeu que ali, entre as pernas, o calor era maior. Desabotoou a camisa. Estava ofegante. Começou a se despir. Sem cerimônias, ficou apenas de calcinha. Sentia vontade gritar, pegou a camisa que acabara de tirar, enrolou-a em uma pequena trouxa, grossa e a mordeu de nervoso, para segurar o grito. E ali, em pé, com uma mão apoiada na parede e a outra entre as pernas, deslizou seus dedos intensamente para dentro da calcinha e masturbou-se, como nunca havia feito antes. Em alguns segundos sua mão estava molhada do resultado de sua ação.

Gozava.

Estava mais calma, ainda envergonhada, porém conseguia retomar o controle de si. Depois de se recompor, vestiu-se e pediu licença pelo resto do dia. Ligou para Cleber, disse que não estava se sentindo bem e pediu que viesse busca-la. Logo estava no carro do marido, que, muito preocupado, perguntava o que havia acontecido e Clara apenas afirmava que não se sentia bem e queria ir pra casa.

Ao chegar, Clara pedi a Cleber que a acompanhe ao quarto, pois precisa descansar. Ao entrar, ela o segura pela camisa e beija-o como louca levando-o para a cama. E ali, no mesmo quarto de todas as noites, amaram-se como na lua de mel, com o ímpeto dos jovens e sem o pudor dos maduros.

Janeiro32014

Personagens Rebeldes

- Este personagem é um dos rebeldes! - disse o velho escritor.

- Rebeldes? - perguntou o novo.

- Sim, um dos rebeldes. Eu chamo assim aqueles personagem que insistem em não seguir aquilo que queremos. Aqueles cheio de personalidade, que suas ações parecem não vir de minha cabeça, tem vontade própria sabe?

Sem entender, o novo continuou olhando para o velho.

- Deixe-me explicar melhor. Quando escrevemos, criamos a personalidade de cada personagem, criamos os caminhos que ele irá seguir ao longo da história, algo como um destino. Cada personagem tem seu próprio destino, que geralmente já o temos definido desde sua criação. Porém existem aqueles que surgem do nada como gancho para narrativa ou outro que o pensamos de uma maneira e ao longo da escrita nos vemos obrigados a alterá-lo, pois ele mesmo se molda. Como se negasse o destino que lhe foi imposto, algo como livre arbítrio.

Ainda mais confuso o jovem desviou o olhar e agora mirava alguma coisa no ar que não existia. Tentava acompanhar o raciocínio do velho.

- Eu tenho uma teoria. - disse o velho - na verdade não chega a ser uma teoria, mas apenas um pensamento que insiste em não desaparecer.

O jovem voltara a olhá-lo.

- Acredito que somos personagens de um grande livro escrito por aquele que chamamos de Deus. Somos personagens veja bem! Criações de uma mente. Temos a escolha de seguir o destino que nos foi dado, ou seja o propósito do personagem na história, ou podemos ser um dos rebeldes, aqueles que tem tanta personalidade que insistem em transformar a história por si mesmos. Não aceitam o caminho interposto e quase que obrigam a Deus reescrever a história. Seria o tal livre arbítrio.

O entendimento chegava a mente do jovem.

- Você verá quando for mais experiente, nem todos os personagens são obedientes. Terão aqueles que insistem em tomar caminhos próprios e lhe levarão a um final surpreendente. Agora chega, que já estou ficando redundante, um mau de quando se fica velho.

9AM
Uma homenagem a Lee Jeffries.
Veja no DeviantArt.

Uma homenagem a Lee Jeffries.

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9AM
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